De repente sinto-me a sair de mim e a olhar-me do lado de fora. Olho-me demoradamente a observar os mais ínfimos pormenores, tentando ver, como se estivesse perante um espelho, quem sou.
É estranho como me parece não ser eu, a "outra" que está na minha frente.
Indescritível esta sensação, a maneira como me vejo, como me interrogo se eu sou aquela que está a olhar para mim.
Como vivi tanto tempo comigo mesma e agora não me reconheço.
Vejo um corpo que a idade vai transformando, e aos poucos desgastando. Mas esta que está deste lado agora, não sente o peso da idade, nem o desgaste, não sente dor ou desilusão no que observa, está imune a tudo isso.
Entendo então que, o que eu quis trazer para fora de mim, foi a minha alma.
Essa alma que faz todo o sentido da vida, que nos faz
a redenção da mesma, nos faz sentir a raiva mas que nos dá o bálsamo da quietude, nos dá a conhecer a desilusão mas que também nos enche de ilusões, nos mostra a revolta mas que nos eleva na Fé, que nos mostra o amor em toda a sua plenitude, e sentir esse amor e a sua retribuição em todos os nossos actos nos dá o alento para vivermos.
E assim, com toda a calma e serenidade, que esta maneira de me "ver" me trouxe, faço de novo a fusão do corpo e da alma, desvalorizando o que é efémero e, dando muito mais significado ao que se manterá eterno.
Mantra: - Mesmo quando não me reconheço, eu escolho escutar a minha alma. Mesmo quando tudo parece mudar, eu escolho o que permanece eterno em mim.
Autoria: - Mia Ressu **
imagem de "criação"AI - pessoal -
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