segunda-feira, 9 de março de 2026

A Vida Observada: Fragmentos de Uma Consciência Atenta !

 

A Vida que nos Vive !

Há quem acredite que conduz a própria vida, como quem segura firme as rédeas de um cavalo dócil.

Mas basta observar com com acuidade,  com aquela atenção que só os que já sofreram sabem ter, para perceber que a Vida não é animal domesticado.

É força antiga, selvagem, silenciosa.

É rio que corre por onde quer, não por onde o desejamos.

A Vida vive-nos mais do que nós a vivemos.

Há dias em que abre clareiras de sol no meio do arvoredo, como se nos oferecesse um sorriso inesperado.

Outros em que fecha tudo, nos empurra para a sombra, e nos obriga a aprender a esperar.

Há momentos em que a água corre forte, impetuosa, fazendo barulho suficiente para nos lembrar que existimos.

E há momentos em que o riacho abranda, quase se cala, como se estivesse a escutar o nosso próprio silêncio.

A Vida é feita desse movimento:

do que se mostra e do que se esconde,

do que dá e do que retira,

do que promete e do que nunca chega.

E nós, pequenos seres de carne e tempo, caminhamos dentro dela como quem atravessa um bosque:

às vezes com luz, às vezes às cegas, mas sempre dentro do que ela permite.

A Esperança,  essa palavra tão leve e tão pesada e ao mesmo tempo,  é como a matemática quântica: existe, vibra, insinua resultados, mas nunca garante nada.

É presença invisível, e não um contrato assinado.

Por isso, a verdadeira sabedoria não está em lutar contra o inevitável, nem em inventar batalhas onde não há vitória possível.

Está na - aceitação -.

Aceitar sem reticências, sem o "mas" que adia a realidade, sem a ilusão de que controlamos, o que não se deixa controlar.

Aceitar o que é.

Aceitar o que não depende de nós.

Aceitar que a Vida tem o seu próprio ritmo e que a nossa liberdade está em caminhar dentro dele, não contra ele.

E quando essa aceitação chega, discreta como sombra fresca num dia quente, nasce uma leveza que não é ausência de peso, mas ausência de resistência.

A leveza de ser enquanto se é.

A leveza de existir sem exigir.

A leveza de colher frutos que talvez não sejam muito doces, mas que sabem bem porque nasceram do nosso cuidado.

No fim, ninguém vive a vida como quer. Vivemos como a Vida nos permite.

E dentro dessa permissão, que nos condiciona, se estivermos bem atentos, encontramos beleza suficiente para justificar o caminho, que temos de seguir. 

Nota pessoal: - Pode não ser muito entendível e até um pouco confuso este texto, mas apeteceu-me dissertar sobre a Vida, e como ela me permite viver.

Autoria: - Mia Ressu 

imagem - AI de"criação" pessoal

2 comentários:

  1. Excelente partilha! Nada confuso e soberbamente entendível! Obrigada!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Muito Grata pelas suas palavras elogiosas. Foi um gosto recebê-las, de sua parte. Um abraço amistoso.

      Eliminar

Grata pela visita. Este espaço move-se entre silêncios, memórias e palavras que insistem em nascer.

Saber - pausar - no "momento" certo !

  Depois  de ter feito  uma atenta "viagem" aleatória, por variados - blogs - apercebi-me que existem  muitos textos, que passam p...