Gosto de escrever à "séria", sobre várias temáticas mas, também gosto de quando em vez, deixar ficar por "aqui", um pouco de humor.
E porque não através de uma - Conversa Improvável - .
A Visita do Sócrates (o errado)
Estava eu muito sossegada, a tentar pôr ordem na minha vida, que já é um exercício filosófico digno de prémio quando ouço bater à porta.
- Quem é? perguntei, já com aquele pressentimento de que vinha aí chatice.
Do outro lado, uma voz grave respondeu:
- Sócrates.
Ora, eu, Maria inocente mas não burra, pensei logo:
“Finalmente o homem veio pagar a parte da dívida que me pertence e que o Novo Banco me engoliu. Aleluia, milagre!”
Abri a porta com esperança - erro de principiante.
Em vez do Sócrates que me "deve" dinheiro, estava lá o outro.
O filósofo.
O da Grécia.
O que não paga dívidas porque nunca teve conta no banco.
Fiquei a olhar para ele, de braços cruzados:
- Mas que raio "homem" que fazes tu aqui em minha casa , vens dar lições de filosofia ? não penses que me assusto com tão pouco.
Quando ouvi ‘Sócrates’, pensei que era o outro, o que me deve dinheiro. Tu não me deves nada… a não ser paciência.
Ele sorriu, muito sábio:
- Eu só sei que nada sei !
E eu respondi:
Pois, e eu só sei que nada recebo. Cada um com a sua filosofia.
Ele entrou como se a minha casa fosse a ágora de Atenas e começou a fazer perguntas profundas sobre a vida, a virtude, a alma…
E eu só pensava:
“Se fosse o outro Sócrates, eu é que lhe fazia perguntas, começando pelo extrato bancário.”
Quando se levantou para ir embora, ainda tive tempo de lhe dizer:
- Limpa os pés à saída, que ainda me levas o pó do chão. Já basta o que o outro me levou.
Ele saiu impávido e sereno.

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