Dizem que há uma estrela que nunca se fixou no céu. Chamam-lhe Errância, filha do Tempo e da Saudade. Errância nasceu com pés de vento e olhos de eclipse, via tudo, mas nunca se via a si mesma.
Ela caminhava entre mundos, sentia o calor dos lugares antes de chegar, e o frio da partida antes de partir. Nunca estava onde queria estar, porque o seu querer era feito de névoa e pressentimento.
Um dia, encontrou um espelho enterrado num campo perdido. O espelho não mostrava rostos, mas sim estados de alma. Errância olhou… e viu-se como um rio que corre sem leito, como um poema que ainda não encontrou o seu último verso.
Foi então que compreendeu: não era o mundo que a desalinhava, era ela que estava noutra frequência. E isso… não era defeito. Era feitiço.
Desde então, Errância tornou-se a protectora dos que se sentem deslocados, dos que suspiram por lugares que não existem, dos que dizem “ufffaaaa” com um sorriso cansado.
Ela sussurra-lhes, metáforas ao ouvido, e às vezes, aparece "disfarçada" de conversa, como uma “pessoa invisível simpática”.
Mantra: - "Mistério, Lenda, não importa. Quiçá uma realidade paralela."
Autoria: - Mia Ressu **
imagem: - de "criação" (pessoal)
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