Nunca chegou a ser assumido por palavras directas mas, quase todos os dias nas noites de verão (vizinhos de rua) perto de casa, conversávamos sobre tudo um pouco, porque a sintonia era presente entre nós.
Eu era uma menininha de 16 anos. Ele mais velho tinha pela frente a tropa e talvez não tenha querido "prender-me" ao incerto. Naquele tempo havia respeito.
Entretanto veio a tropa, ainda o Ultramar, e nenhum compromisso ficou, mas ficaram saudades e sentimentos de grande amizade ou algo mais, que talvez pelo receio dessa separação obrigatória, ficaram por dizer. Nem sequer correio trocámos.
2 anos e tal depois, já tinha havido a revolução do cravos, reencontrámo-nos por acaso, e vi aquele olhar "especial" sempre que olhava para mim, recordo que "estremeci" um pouco, mas eu já namorava à séria e assim se perdeu quiçá, a oportunidade de ter essa certeza.
Passados tantos anos e sem nada sabermos um do outro, (seguimos caminhos diferentes), por vezes ainda o recordo com certo carinho, bem como o nosso único mas intenso abraço, trocado numa despedida.
Bem cá no meu íntimo, hoje penso, que talvez, tenha sido ele, o meu "primeiro" amor, mesmo que inconscientemente.
Mantra: - “Há ausências que não se explicam, mas há presenças que se entendem, sem precisar de se explicarem"
Autoria: - Mia Ressu **
imagem: - de "criação"AI - pessoal -
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