sábado, 21 de fevereiro de 2026

Mais Um Entre Tantos !

                    

 

No  final  de um dia de  trabalho, percorrendo  as  ruas da  cidade, para tentar encontrar o caminho mais fácil para poder fugir ao transito, numa  tentativa  de chegar mais  rápido a casa, parei o carro num  sinal  vermelho, quando num rompante, quase  abruptamente, vejo no vidro dianteiro, alguém a passar um "trapo" sujo, manuseado por uma mão,  com alguma sujidade.  

Após algumas "fracas" passagens pelo vidro, olho para um mão estendida, em silêncio de
alguém cambaleante.  Ainda atónita, olhei para aquele rosto cadavérico, envelhecido, embora não passasse de um "menino". 

Os olhos encovados e suplicantes, baços e sem brilho eram de uma profundidade tão penetrante, que quase me deixaram petrificada, e senti-me incapaz de dizer o que quer que fosse.

Balbuciou duas ou três palavras,  para mim quase impercetíveis, enquanto a sua mão continuava quase em súplica. 

Um pouco mais refeita, lá consegui arranjar coragem para lhe perguntar se estava a sentir-se bem , que talvez tivesse  fome, e se fosse esse o caso, eu iria dar-lhe de comer, que queria ajudá-lo, talvez  até levá-lo a um hospital.

Respondeu-me tremulamente que se o quisesse realmente ajudar, lhe desse algum dinheiro, assim o ajudaria muito mais, pelo menos  a morrer com menos dor. 

Apercebendo-me do quadro que tinha na minha frente,  tentei contra-pôr, que estava na vontade dele a decisão de voltar atrás que era muito jovem para se render assim tão facilmente.

Respondeu-me com algum tremor na voz,  a morte não tem retorno e eu tenho a morte dentro de mim.

Compreendi, que nada do que eu dissesse ou fizesse iria demovê-lo. Impotente, dei-lhe o que ele queria, dinheiro.  Sorriu-me, com um sorriso que mais parecia um esgar e afastou-se cabisbaixo, carregando em si o peso da desgraça e da morte anunciada.

Aquele quadro marcou-me profundamente. Fez crescer dentro de mim uma raiva e uma revolta tão grande que dura até hoje. 

Quem manda, cruza os braços, não por impotência mas por cobardia. Afinal, o vil metal é o "chefe supremo" da Humanidade.

 E assim se vão "engordando" bolsos ambiciosos, à custa da morte dos nossos filhos e, se fica impune.

O que me serve de consolo é que a justiça dos homens é cega mas, a Divina não perdoa e a Deus todos terão de prestar contas.

 

Autoria: Mia Ressu  📖

Imagem: AI - de criação própria

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