Eu era criança, lembro-me que estava sózinha, sentada num patamar de uma escada de pedra que havia na aldeia onde passava as férias de verão, na Serra da Estrela, terra da minha descendência materna. Não foi um sonho, foi real, eu já tinha idade para me aperceber dos factos.
Uma Velhinha, desconhecida, sem nome, nem morada. Parou junto a mim. Olhou-me com olhos que sabiam mais do que o tempo permite.
Passou-me a mão pela cabeça e disse: “Tu carregas o mal do Mundo contigo.” Seguiu caminho e eu, não deixei de a seguir com o olhar, até ela desaparecer numa curva.
Na altura não entendi. Pensei ser algo natural. Sempre adorei a companhia das pessoas mais velhas. Preferia ficar a ouvir as suas histórias do que brincar com crianças da minha idade, porque me sentia mais confortada.
Mas a frase ficou. Como quem planta uma semente no silêncio. Hoje, adulta, mulher de "travessias", eu sei o que ela quis dizer.
Sei que há dores que não são minhas, mas que eu sinto. Sei que há injustiças que me doem como se fossem feridas na pele. Sei que há lágrimas que não chorei, mas que habitam, cá dentro.
E talvez por essa razão, sou apegada aos Ancestrais. Porque eles sabem o que não se explica. Sou "ligada" enquanto estudo, às Ciências Ocultas. Porque o inexplicável não se prova, sente-se com a alma.
Aquela velhinha nunca mais voltei a vê-la. Mas deixou-me uma marca, como se fosse uma tatuagem que ninguém vê, que eu "carrego" com dignidade. Não como fardo, mas como missão silenciosa.
Mas penso que tudo o que aprendi de bom, ao longo da minha Vida, foi sempre com as minhas Avós e outras pessoas velhinhas.
Mantra: - "A alma sente o mundo inteiro, mesmo quando o mundo não se deixa sentir."
Autoria: - Mia Ressu **
imagem: - de "criação"AI - pessoal -
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