A teu lado, está sempre uma chávena de chá de ervas, como se bebesses o tempo em infusão.
Um tinteiro antigo, com a caneta de aparo em madeira desenhada, descansa perto, guardando a tinta que raramente usas. Mais decorativo do que útil, mas presença fiel na tua secretária.
Onde estejas, raramente te falta um livro. Agora relês A Casa de Bernarda Alba, e Lorca visita-te nas palavras, reconhecendo em ti o Amor que arde, a Emoção que pulsa, a Verdade que não se vende, a Revolta que não se apaga.
Na biblioteca, o piano silenciado suspira. Não por ausência, mas por saudade do toque que lhe dava alma.
O Fado que escutas, que já cantaste em jovem, volta como raiz escolhida, não como destino imposto.
És feita de apostas, nunca de certezas. Ganhar ou perder não te define. O que te define é o acto de continuar.
Não és pertença de alguém… és presença de todos. Dona do teu eu, guardadora da tua frequência.
É assim que eu "me" vejo… do lado de cá.
Nota Pessoal: - Há textos que nascem sem aviso, vindos da rotina e da memória. Descobri que o quotidiano guarda sempre uma poesia escondida. Este é um reflexo simples, mas verdadeiro. Um auto‑retrato, escrito do lado de cá.
Mantra: - “Saber é poder, mas calar é sabedoria. Que possamos aprenda com o silêncio.”
Autoria: - Mia Ressu **
imagem- de "criação"AI _ pessoal _
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